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Imperadores

Constantino I: o imperador que reorganizou o Império Romano e fundou Constantinopla

Poucos governantes da Antiguidade exerceram uma influência tão duradoura quanto Constantino I, conhecido pela posteridade como Constantino, o Grande.

Seu reinado, entre 306 e 337 d.C., situa-se em uma das maiores transições da história romana. Quando Constantino iniciou sua trajetória imperial, o poder estava repartido entre diversos governantes, o sistema político criado por Diocleciano atravessava uma grave crise sucessória, as guerras civis voltavam a decidir quem podia vestir a púrpura e o cristianismo ainda carregava a memória recente das grandes perseguições.

Quando Constantino morreu, três décadas depois, o cenário era profundamente diferente.

Ele havia:

  • derrotado sucessivos rivais;
  • reunificado o Império sob um único Augusto;
  • reorganizado e consolidado estruturas administrativas herdadas da Tetrarquia;
  • transformado a relação entre o Estado romano e o cristianismo;
  • convocado o Concílio de Niceia;
  • estabelecido uma nova dinastia;
  • reformado a moeda de ouro com o solidus;
  • refundado Bizâncio como uma nova capital imperial;
  • inaugurado Constantinopla em 330;
  • deixado uma linguagem política e numismática que influenciaria séculos de história romana e bizantina.

Sua importância, contudo, exige cautela.

Constantino não deve ser reduzido a uma única imagem.

Ele foi, ao mesmo tempo:

  • general;
  • vencedor de guerras civis;
  • herdeiro e transformador das reformas de Diocleciano;
  • fundador dinástico;
  • patrono do cristianismo;
  • imperador que continuou utilizando símbolos tradicionais romanos durante parte de seu reinado;
  • reformador monetário;
  • construtor;
  • fundador de uma nova capital;
  • protagonista de uma grave crise familiar;
  • governante cuja memória foi profundamente reinterpretada por tradições cristãs posteriores.

Suas moedas são especialmente importantes porque permitem acompanhar muitas dessas transformações diretamente em objetos produzidos durante seu governo.

Nelas podemos observar:

  • a mudança do retrato imperial;
  • a sobrevivência de símbolos solares;
  • a gradual incorporação de símbolos cristãos;
  • as comemorações de vitórias;
  • a exaltação do exército;
  • os votos imperiais;
  • as casas da moeda;
  • a fundação de Constantinopla;
  • a criação de uma nova linguagem dinástica.

Estudar Constantino por meio da numismática é, portanto, acompanhar em metal a transformação do mundo romano no início do século IV.


1. Quem foi Constantino I?

O futuro imperador nasceu em Naísso, na província romana da Mésia Superior, cidade correspondente à atual Niš, na Sérvia.

A data tradicional de nascimento é 27 de fevereiro de 272 d.C., embora as fontes antigas não permitam absoluta certeza sobre o ano. A literatura especializada também encontra propostas próximas, entre 271 e 273.

Seu nome aparece em diferentes formas ao longo da carreira imperial, mas é frequentemente registrado como:

Flavius Valerius Constantinus

Seu pai era Constâncio, posteriormente conhecido como Constâncio Cloro ou Constâncio I.

Sua mãe era Helena, que mais tarde se tornaria uma das figuras femininas mais importantes da tradição cristã da Antiguidade Tardia.

Constantino nasceu, portanto, em uma família ligada ao ambiente militar e administrativo que ascenderia rapidamente durante as reformas do final do século III.


2. Para compreender Constantino, é necessário compreender Diocleciano

Constantino não chegou ao poder dentro do antigo modelo em que um único imperador governava e escolhia livremente seu sucessor.

Ele surgiu no contexto da Tetrarquia, sistema criado por Diocleciano.

Diocleciano havia chegado ao poder em 284, depois de décadas de instabilidade política conhecidas como parte da Crise do Terceiro Século.

Para tornar o governo mais eficiente e melhorar a defesa de um território enorme, foi desenvolvido um sistema colegiado.

Em sua forma clássica, a Tetrarquia possuía:

  • dois imperadores seniores, chamados Augusti;
  • dois imperadores subordinados, chamados Caesares.

A ideia era que quatro governantes pudessem:

  • administrar regiões diferentes;
  • responder mais rapidamente às ameaças;
  • compartilhar responsabilidades militares;
  • preparar sucessores;
  • reduzir a dependência de uma única capital.

Esse sistema também contribuiu para diminuir ainda mais a importância de Roma como residência cotidiana dos imperadores.

Trier, Milão, Nicomédia e outras cidades passaram a funcionar como centros de poder.

Constantino herdaria esse mundo.

Mas acabaria destruindo o princípio tetrárquico de sucessão e substituindo-o, na prática, por uma nova lógica dinástica.


3. Constâncio Cloro e a ascensão da família

Em 293, o pai de Constantino, Constâncio, foi elevado à posição de Caesar no Ocidente.

Ele passou a integrar a Tetrarquia.

Quando Diocleciano e Maximiano abdicaram, em 305, Constâncio tornou-se Augustus.

Constantino, entretanto, não foi automaticamente nomeado Caesar.

Isso mostra uma das características fundamentais do sistema tetrárquico:

a sucessão não deveria depender simplesmente da relação entre pai e filho.

Mas essa lógica entraria em conflito com as ambições dinásticas dos próprios governantes e de seus exércitos.

Constantino seria um dos principais responsáveis por desmontar esse modelo.


4. A juventude de Constantino no ambiente imperial

Constantino passou parte de sua juventude no Oriente, ligado às cortes de Diocleciano e Galério.

Esse período foi importante porque lhe proporcionou contato direto com:

  • administração imperial;
  • campanhas militares;
  • hierarquia cortesã;
  • funcionamento do sistema tetrárquico;
  • política de fronteiras.

Posteriormente, Constantino conseguiu reunir-se a seu pai no Ocidente.

Acompanhou Constâncio em campanha na Britânia.

Foi ali que sua trajetória mudou definitivamente.


5. York, 306: o nascimento político de um imperador

Constâncio I morreu em 25 de julho de 306, em Eboracum, a atual York, na Inglaterra.

Constantino estava presente.

O exército proclamou-o imperador.

A proclamação militar era extremamente importante no mundo romano, mas não resolvia sozinha a questão jurídica e política.

Galério, o principal Augusto do sistema tetrárquico, não aceitou plenamente a posição que as tropas haviam concedido a Constantino e procurou enquadrá-lo dentro da hierarquia existente.

A partir desse momento, começou uma longa luta de Constantino pela supremacia.

Ele ainda não era senhor de todo o Império.

Era apenas um entre diversos homens que reivindicavam autoridade.


6. Trier tornou-se um dos primeiros centros do poder constantiniano

Nos anos seguintes à morte de seu pai, Constantino estabeleceu sua principal base ocidental em Augusta Treverorum, a atual Trier, na Alemanha.

A cidade possuía enorme importância estratégica.

Localizava-se próxima das fronteiras do Reno e servia como residência imperial.

Vestígios monumentais ainda recordam a presença da corte tardorromana na região.

Para o numismata, Trier também possui grande interesse porque foi uma importante casa monetária.

Moedas cunhadas ali ajudam a acompanhar os primeiros estágios da carreira de Constantino.


7. Constantino, Maximiano, Fausta e a política dinástica

Em 307, Constantino casou-se com Fausta, filha do antigo imperador Maximiano.

O casamento tinha evidente dimensão política.

Alianças familiares eram instrumentos de legitimação.

Constantino já possuía um filho mais velho, Crispo, nascido de sua relação anterior com Minervina.

Mais tarde, Fausta seria mãe de outros filhos, incluindo futuros imperadores.

A família constantiniana se tornaria elemento central da propaganda do regime.

Moedas de:

  • Constantino;
  • Crispo;
  • Constantino II;
  • Constâncio II;
  • Constante;
  • Helena;
  • Fausta;

permitiriam representar a continuidade da casa imperial.


8. A Tetrarquia entrou em colapso

A abdicação de Diocleciano não produziu a sucessão ordenada que seu sistema pretendia.

Rapidamente surgiram:

  • rivalidades;
  • usurpações;
  • imperadores concorrentes;
  • alianças temporárias;
  • guerras civis.

Entre os principais personagens estavam:

  • Constantino;
  • Maxêncio;
  • Maximiano;
  • Galério;
  • Licínio;
  • Maximino Daia.

Durante alguns anos, a geografia política do Império tornou-se extremamente complexa.

Cada governante procurava justificar sua própria posição.

A moeda era um dos instrumentos dessa legitimação.

Retratos, títulos e reversos ajudavam a dizer ao público:

quem era o imperador legítimo.


A GUERRA CONTRA MAXÊNCIO

9. Quem foi Maxêncio?

Maxêncio era filho de Maximiano.

Em 306, foi proclamado em Roma.

Controlou a antiga capital e importantes territórios da Itália e da África durante parte de seu reinado.

Constantino e Maxêncio acabaram tornando-se rivais.

A guerra decisiva entre os dois ocorreu em 312.

Constantino atravessou os Alpes e avançou sobre a Itália.

Depois de sucessivas vitórias, aproximou-se de Roma.

O confronto final ocorreria junto ao Tibre.


10. A Batalha da Ponte Mílvia

Em 28 de outubro de 312, os exércitos de Constantino e Maxêncio enfrentaram-se nas proximidades da Ponte Mílvia, ao norte de Roma.

Constantino venceu.

Maxêncio morreu durante a retirada, no Tibre.

A vitória transformou profundamente o equilíbrio político.

Constantino tornou-se senhor do Ocidente.

A Ponte Mílvia também se tornaria um dos acontecimentos mais famosos da história do cristianismo por causa das tradições sobre a visão ou sonho de Constantino.


A VISÃO DE CONSTANTINO

11. O que realmente aconteceu antes da Ponte Mílvia?

Essa pergunta exige prudência.

Existem relatos antigos diferentes.

Uma das principais fontes é Lactâncio.

Outra é Eusébio de Cesareia.

Os dois autores associam a vitória de Constantino a uma experiência religiosa ligada ao Deus cristão, mas não narram o episódio exatamente da mesma maneira.

Lactâncio relata um sonho no qual Constantino teria recebido instrução para colocar um sinal divino nos escudos de seus soldados.

Eusébio, em uma narrativa posterior, descreve uma experiência mais elaborada envolvendo um sinal celeste e uma revelação.

Por isso, a formulação historicamente mais responsável é:

as fontes cristãs antigas relacionam a vitória de 312 a uma experiência religiosa de Constantino, mas os detalhes do episódio diferem entre os relatos.

Não é prudente transformar uma das versões em descrição incontestável do que ocorreu.


12. E o famoso “In hoc signo vinces”?

A expressão latina:

IN HOC SIGNO VINCES

é tradicionalmente associada à visão de Constantino.

Pode ser traduzida aproximadamente como:

“Com este sinal vencerás”

ou

“Neste sinal vencerás”.

Entretanto, a relação exata entre essa fórmula latina posterior e os relatos antigos deve ser tratada com cuidado.

O importante para a história de Constantino não é apenas reconstruir o fenômeno visual, mas perceber que, depois de 312, sua relação com o cristianismo mudou profundamente.


13. O Chi-Rho

Um dos símbolos associados a Constantino é o:

Ele é conhecido como Chi-Rho ou cristograma.

É formado pelas letras gregas:

  • Chi — Χ;
  • Rho — Ρ;

as duas primeiras letras de:

ΧΡΙΣΤΟΣ

Christos — Cristo.

O símbolo tornou-se importante na linguagem imperial cristã.

Mas sua presença na moeda constantiniana deve ser estudada cronologicamente.

Não é correto imaginar que, imediatamente depois de 312, todas as moedas de Constantino abandonaram símbolos religiosos tradicionais e passaram a usar apenas iconografia cristã.

A transição foi gradual.


14. O Arco de Constantino mostra a complexidade da mudança

O famoso Arco de Constantino, em Roma, foi construído para celebrar a vitória sobre Maxêncio.

O monumento associa a vitória a uma intervenção ou inspiração divina, mas sua linguagem visual não é simplesmente um programa cristão explícito.

Isso é importante.

A política religiosa de Constantino não deve ser lida como uma ruptura instantânea ocorrida em um único dia.

O imperador governava um mundo no qual:

  • o cristianismo estava crescendo;
  • cultos tradicionais continuavam ativos;
  • elites senatoriais preservavam antigas práticas;
  • o exército não era religiosamente uniforme.

Sua linguagem pública precisava funcionar dentro desse ambiente.


CONSTANTINO E O CRISTIANISMO

15. Constantino foi o primeiro imperador cristão?

Ele é tradicionalmente descrito como o primeiro imperador romano cristão.

Essa expressão é útil, mas precisa de explicação.

Constantino favoreceu claramente o cristianismo.

Concedeu privilégios à Igreja.

Patrocinou construções cristãs.

Interveio em conflitos eclesiásticos.

Convocou um concílio ecumênico.

Utilizou símbolos cristãos.

Mas sua trajetória religiosa foi gradual.

Ele recebeu o batismo somente perto da morte, em 337.

Além disso, elementos tradicionais e solares permaneceram em sua representação durante parte de seu reinado.

Portanto, sua cristianização não deve ser apresentada como uma mudança completamente instantânea e simples.


16. Constantino não tornou o cristianismo religião oficial do Império

Esse é um dos erros históricos mais comuns.

Em 313, Constantino e Licínio estabeleceram uma política de tolerância religiosa geralmente conhecida como Édito de Milão.

O acordo permitiu o culto cristão e determinou a restituição de propriedades confiscadas em perseguições.

Foi uma transformação extraordinária.

Mas não significou:

“A partir de 313, o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano.”

Isso é incorreto.

A oficialização do cristianismo niceno como religião imperial está associada ao reinado de Teodósio I, especialmente ao Édito de Tessalônica, em 380.

Constantino mudou profundamente a posição jurídica e política dos cristãos.

Mas o processo de cristianização do Estado romano continuou depois de sua morte.


17. Por que se fala em “Édito de Milão”?

A expressão é tradicional.

Na prática, os historiadores estudam uma política acordada entre Constantino e Licínio em 313 e preservada em textos transmitidos pelas fontes.

O ponto essencial para o colecionador e para o leitor de história é compreender seu efeito:

a perseguição imperial aos cristãos foi encerrada e houve reconhecimento de liberdade religiosa e restituição de bens.

Esse acontecimento alterou a posição da Igreja dentro do mundo romano.


18. A Igreja passou de perseguida a favorecida

Nas primeiras décadas do século IV, o cristianismo passou por uma transformação extraordinária.

Pouco antes de Constantino, cristãos haviam enfrentado a chamada Grande Perseguição, associada ao período de Diocleciano e seus colegas.

Depois de Constantino, bispos passaram a possuir acesso crescente ao poder imperial.

A Igreja recebeu:

  • propriedades;
  • privilégios;
  • patrocínio;
  • apoio à construção de basílicas;
  • participação em mecanismos de mediação social e jurídica.

Essa mudança teria consequências muito além do reinado de Constantino.


19. Constantino também interveio em disputas internas do cristianismo

O imperador não precisou lidar apenas com a relação entre cristãos e pagãos.

O próprio cristianismo possuía divisões internas.

Uma delas foi a controvérsia donatista, especialmente importante no norte da África.

Outra, ainda mais influente, foi a controvérsia ligada a Ário e à natureza de Cristo.

Constantino desejava unidade.

Para um imperador que havia lutado durante anos para reunificar politicamente o Império, conflitos religiosos de grande escala eram também problemas de ordem imperial.


O CONCÍLIO DE NICEIA

20. Por que Constantino convocou Niceia?

No início do século IV, uma grave controvérsia teológica desenvolveu-se em torno da relação entre Deus Pai e Cristo.

Ário, presbítero de Alexandria, defendia posições rejeitadas por seus adversários.

A disputa expandiu-se.

Constantino tentou inicialmente promover reconciliação.

Quando isso não funcionou, convocou um grande concílio de bispos.

O encontro ocorreu em Niceia, na Bitínia, em 325.


21. O que aconteceu em Niceia?

O Primeiro Concílio de Niceia reuniu bispos de diferentes regiões do Império.

Constantino participou da abertura e teve papel político importante na realização do encontro.

O concílio condenou as posições de Ário e formulou uma profissão de fé baseada na consubstancialidade do Filho com o Pai.

Essa fórmula seria fundamental para o desenvolvimento posterior do chamado Credo Niceno.

Mas a controvérsia não terminou.

Nas décadas seguintes, as disputas continuaram.

O próprio Constantino modificou sua atitude em relação a diferentes personagens do conflito.

Isso demonstra que Niceia foi um acontecimento fundamental, mas não uma solução instantânea para todas as controvérsias cristológicas.


22. Niceia não escolheu quais livros entrariam na Bíblia

Outra ideia muito difundida, mas incorreta, afirma que Constantino convocou Niceia para decidir quais livros fariam parte da Bíblia.

Essa não foi a principal questão do concílio.

O encontro de 325 esteve sobretudo ligado:

  • à controvérsia ariana;
  • à formulação doutrinal;
  • à disciplina e unidade da Igreja;
  • a questões relacionadas à data da Páscoa e outros temas eclesiásticos.

Apresentar Niceia como uma reunião que “inventou a Bíblia” distorce o acontecimento histórico.


CONSTANTINO CONTRA LICÍNIO

23. Depois de 312, Constantino ainda não era o único imperador

A vitória sobre Maxêncio deu a Constantino controle sobre o Ocidente.

Mas o Oriente permaneceu nas mãos de Licínio.

Durante algum tempo, os dois governantes mantiveram uma convivência política.

Constantina, meia-irmã de Constantino, casou-se com Licínio.

Mas a aliança era frágil.

Os dois imperadores possuíam ambições próprias.


24. A primeira guerra entre Constantino e Licínio

As tensões resultaram em guerra.

Um primeiro conflito importante ocorreu por volta de 316–317.

Constantino conseguiu ampliar seus territórios.

Um acordo temporário preservou Licínio como imperador no Oriente.

Também foram promovidos novos Caesars, incluindo membros das duas famílias.

A paz não duraria.


25. 324: a guerra pelo controle de todo o Império

Em 324, a guerra recomeçou.

Constantino derrotou Licínio em grandes confrontos, incluindo:

  • Adrianópolis;
  • Crisópolis.

Licínio foi vencido.

Constantino tornou-se o único senhor do Império Romano.

Essa vitória é fundamental para compreender tudo o que veio depois.

Somente após eliminar o último grande rival, Constantino pôde desenvolver plenamente seu projeto dinástico e sua nova capital.


26. Licínio foi poupado e depois executado

Depois da derrota, Licínio inicialmente recebeu garantia de vida.

Algum tempo depois, Constantino ordenou sua execução.

O episódio recorda que as guerras civis romanas eram extremamente violentas.

A imagem posterior de Constantino como santo não elimina a dimensão brutal da política imperial do século IV.

Ele foi um governante religioso, mas também um imperador romano que alcançou a supremacia por meio de sucessivas guerras e da eliminação de rivais.


O IMPÉRIO DEPOIS DE 324

27. Constantino não reorganizou Roma a partir do zero

A expressão “Constantino reorganizou o Império” é correta se utilizada com cuidado.

Muitas estruturas fundamentais haviam sido criadas ou profundamente modificadas durante o reinado de Diocleciano.

Constantino:

  • preservou parte importante dessas reformas;
  • adaptou instituições;
  • consolidou novas estruturas;
  • modificou a hierarquia administrativa;
  • transformou o papel de determinados cargos;
  • fortaleceu a dinastia;
  • reorganizou o centro político do Império.

Portanto, é mais preciso dizer que:

Constantino completou, modificou e redirecionou a grande reorganização do Estado romano iniciada no final do século III.


28. Administração civil e autoridade militar

Uma característica importante do Estado romano tardio foi a crescente diferenciação entre funções civis e militares.

Esse processo já estava em andamento sob Diocleciano.

Constantino aprofundou algumas dessas tendências.

Um exemplo importante foi a transformação do papel dos prefeitos do pretório.

Antigos comandantes de enorme importância militar, eles se tornaram cada vez mais grandes administradores civis.

Ao mesmo tempo, outros comandantes passaram a ocupar posições militares especializadas.

Essa separação reduzia a concentração de poder nas mãos de um único oficial.


29. O exército continuou sendo a base do poder

Constantino conquistou o trono pelo exército e nunca deixou de depender da força militar.

Durante seu governo, campanhas ocorreram:

  • na fronteira do Reno;
  • contra alamanos;
  • contra francos;
  • no Danúbio;
  • contra godos;
  • contra sármatas.

O exército tardorromano desenvolveu uma estrutura na qual forças móveis e tropas de fronteira possuíam funções distintas.

Como em outras áreas, esse processo não deve ser atribuído exclusivamente a um único imperador.

Constantino participou de uma evolução iniciada anteriormente e continuada por seus sucessores.


A REFORMA MONETÁRIA

30. Constantino e o solidus

Uma das contribuições monetárias mais duradouras de Constantino foi o solidus de ouro.

A nova moeda foi estabelecida no padrão de aproximadamente:

1/72 da libra romana de ouro

o que corresponde a cerca de:

4,5 gramas

por exemplar teórico, dependendo do valor adotado para a libra romana.

O solidus tornou-se extraordinariamente importante.

Sua estabilidade transformou-o em uma das mais duradouras moedas de ouro da história.

A estrutura monetária do mundo romano oriental e posteriormente bizantino continuaria apoiada em moedas de ouro derivadas desse padrão durante séculos.


31. Por que o solidus foi tão importante?

O século III havia sido marcado por grande instabilidade monetária.

A moeda de prata havia sofrido sucessivas reduções em teor metálico.

O ouro possuía papel fundamental em:

  • pagamentos do Estado;
  • doações militares;
  • relações com elites;
  • pagamentos diplomáticos;
  • tributação;
  • grandes transações.

O solidus proporcionou um padrão de ouro confiável.

Sua importância ultrapassou o próprio Império Romano.

Moedas de ouro romanas circularam e foram imitadas muito além das fronteiras imperiais.


32. O solidus não significou estabilidade para todas as moedas

É importante evitar uma simplificação.

O sucesso do solidus não significa que todo o sistema monetário constantiniano fosse igualmente estável.

As moedas de liga de cobre sofreram mudanças frequentes de:

  • peso;
  • módulo;
  • denominação;
  • relação entre valor nominal e metal.

Por isso, a terminologia das pequenas moedas do século IV pode ser complexa.

O colecionador encontrará termos como:

  • nummus;
  • follis;
  • AE3;
  • AE4.

Quando a denominação antiga não é conhecida com segurança, classificações modernas por tamanho podem ser preferíveis.


CONSTANTINOPLA

33. Constantino não construiu uma cidade onde não existia nada

Outro ponto importante.

Constantinopla não surgiu em território vazio.

No local já existia a antiga cidade grega de:

Bizâncio — Byzantion

Constantino escolheu, ampliou e refundou essa cidade.

A antiga Bizâncio foi transformada em uma nova capital imperial.

Portanto, dizer que Constantino “fundou Constantinopla” é correto no sentido político e urbano da nova capital, desde que se compreenda que ele partiu de uma cidade preexistente.


34. Por que escolher Bizâncio?

A localização era extraordinária.

Bizâncio estava situada no estreito do Bósforo.

A região permitia:

  • controlar a passagem entre o Mar Negro e o Mediterrâneo;
  • acessar facilmente os Bálcãs;
  • aproximar a corte das grandes fronteiras orientais;
  • participar de importantes rotas comerciais;
  • conectar Europa e Ásia;
  • dispor de uma posição defensiva privilegiada.

Constantino não escolheu o local apenas por simbolismo.

A geografia era estratégica.


35. Roma já havia deixado de ser a residência permanente dos imperadores

A fundação de Constantinopla não deve ser imaginada como se todos os imperadores anteriores governassem diariamente de Roma até Constantino abandonar repentinamente a cidade.

Durante a Tetrarquia, o poder imperial já funcionava a partir de diversos centros.

Entre as residências importantes estavam:

  • Trier;
  • Milão;
  • Tessalônica;
  • Nicomédia.

Roma continuava possuindo enorme prestígio simbólico.

Mas já não era necessariamente o lugar onde o imperador precisava residir para governar.

Constantino levou esse processo muito além ao criar uma nova capital com instituições comparáveis às da antiga Roma.


36. 324: começa o projeto da nova cidade

Depois da vitória sobre Licínio, Constantino iniciou o projeto de transformação de Bizâncio.

Em novembro de 324, foram formalmente traçados os novos limites urbanos.

A cidade foi enormemente ampliada.

Novas muralhas foram construídas.

A intervenção urbanística deveria demonstrar que não se tratava apenas de uma residência temporária.

Constantino estava construindo uma capital.


37. 11 de maio de 330: a dedicação de Constantinopla

A nova cidade foi formalmente dedicada em:

11 de maio de 330 d.C.

Ela ficou conhecida como:

Constantinopolis

“Cidade de Constantino”.

Também foi associada à ideia de:

Nova Roma

A denominação possuía enorme significado político.

Constantino não estava criando um Estado separado de Roma.

Estava criando uma nova Roma dentro do próprio Império Romano.


38. Constantinopla imitava e transformava Roma

A nova capital recebeu elementos destinados a colocá-la no mesmo nível simbólico da antiga Roma.

Entre suas instituições e espaços estavam:

  • Senado;
  • palácio imperial;
  • hipódromo;
  • fóruns;
  • grandes vias;
  • monumentos;
  • distribuição subsidiada de alimentos;
  • edifícios religiosos.

A topografia e o cerimonial ajudavam a criar a identidade da nova capital.

Ao mesmo tempo, Constantinopla desenvolveria características próprias.


39. O Hipódromo

O Hipódromo tornou-se um dos centros da vida pública da cidade.

Ali aconteciam:

  • corridas;
  • cerimônias;
  • manifestações;
  • encontros entre população e imperador.

O palácio possuía ligação direta com a tribuna imperial.

Isso permitia que o imperador aparecesse diante do público dentro de um espaço controlado pela corte.

Nos séculos seguintes, o Hipódromo seria palco de alguns dos acontecimentos políticos mais importantes da história bizantina.


40. Monumentos antigos foram levados para a nova capital

Constantino decorou Constantinopla com obras trazidas de diferentes partes do mundo greco-romano.

Um exemplo famoso é a Coluna Serpentina de Delfos, instalada no Hipódromo.

Esse tipo de transferência possuía enorme significado.

A nova capital apropriava-se fisicamente do prestígio da tradição clássica.

Constantinopla não nasceu como uma cidade que simplesmente rejeitava todo o passado pagão.

Sua identidade combinava:

  • tradição imperial romana;
  • cultura grega;
  • monumentos clássicos;
  • crescente presença cristã.

41. A Coluna de Constantino

No Fórum de Constantino foi erguida uma grande coluna de pórfiro.

O monumento celebrava o fundador da cidade.

A tradição associa sua parte superior a uma estátua imperial de caráter solar ou classicizante.

A coluna sobrevive parcialmente em Istambul e é conhecida atualmente como:

Çemberlitaş

ou Coluna Queimada.

Ela é uma testemunha física da fundação da nova capital.


42. Constantinopla era uma capital cristã desde o primeiro dia?

Ela caminharia para se tornar o maior centro político do cristianismo oriental, mas a cidade constantiniana inicial não deve ser representada como se fosse composta apenas por monumentos cristãos.

O programa urbano incorporava múltiplas tradições.

Existiam:

  • referências clássicas;
  • imagens imperiais;
  • monumentos antigos;
  • edifícios cristãos;
  • linguagem religiosa em transformação.

Essa mistura corresponde ao próprio reinado de Constantino.

O início do século IV foi um período de transição.


43. Constantinopla permaneceria central por mais de mil anos

A decisão de Constantino teve consequências muito além de sua vida.

Depois do colapso do Império Romano do Ocidente, Constantinopla continuou como centro do Império Romano oriental.

Os habitantes desse Estado continuaram a se considerar:

Romanos — Rhomaioi

A expressão “Império Bizantino” é uma designação historiográfica moderna.

Para seus habitantes, o Estado continuava sendo romano.

Constantinopla permaneceu uma das grandes capitais do mundo até sua conquista pelos otomanos em 1453.

Poucas decisões urbanas tomadas por um governante tiveram consequências tão duradouras.


AS MOEDAS E A FUNDAÇÃO DE CONSTANTINOPLA

44. A fundação da nova capital também foi celebrada em moedas

A moeda foi um meio ideal para divulgar a nova ordem imperial.

Durante o período constantiniano apareceram famosas séries comemorativas associadas às duas grandes capitais.

Duas delas são especialmente conhecidas:

VRBS ROMA

e

CONSTANTINOPOLIS

Esses tipos estão entre as moedas mais características do século IV.


45. O tipo VRBS ROMA

No anverso aparece a personificação de Roma.

Ela normalmente é representada:

  • com capacete;
  • voltada para a esquerda;
  • usando traje militar ou imperial.

No reverso encontramos uma das imagens mais antigas e famosas da mitologia romana:

  • a loba;
  • Rômulo;
  • Remo.

Acima podem aparecer estrelas.

A mensagem é evidente.

A antiga Roma permanecia fundamental para a identidade imperial.

A criação de Constantinopla não significava apagar Roma.


46. O tipo CONSTANTINOPOLIS

A outra série apresenta a personificação de:

Constantinopolis

No anverso, a nova cidade costuma aparecer personificada como uma figura feminina:

  • com capacete;
  • voltada para a esquerda;
  • portando atributos militares.

No reverso aparece frequentemente:

Vitória sobre a proa de um navio

A iconografia relaciona a nova capital:

  • ao poder;
  • à vitória;
  • à posição marítima;
  • à nova ordem imperial.

Essas moedas constituem documentos extraordinários da criação simbólica de Constantinopla.


47. VRBS ROMA e CONSTANTINOPOLIS devem ser estudadas juntas

As duas séries formam um interessante diálogo.

Uma representa:

a antiga Roma

A outra:

a nova capital

Não é necessário interpretar a relação como simples substituição.

As moedas criam uma linguagem na qual:

  • tradição;
  • fundação;
  • continuidade;
  • inovação;

podem coexistir.

Constantino precisava apresentar a nova capital como legítima sem destruir o prestígio da velha Roma.


A ICONOGRAFIA DAS MOEDAS DE CONSTANTINO

48. As moedas de Constantino mudaram ao longo do reinado

Um erro comum é pensar que existe “o retrato de Constantino”.

Na realidade, seu reinado foi longo e suas moedas foram produzidas em diferentes casas monetárias.

O retrato mudou.

Podemos encontrar:

  • bustos laureados;
  • bustos com elmo;
  • bustos couraçados;
  • bustos drapeados;
  • retratos com diadema;
  • bustos voltados para a direita;
  • bustos voltados para a esquerda;
  • retratos de diferentes estilos.

A correta classificação depende da combinação entre:

  • retrato;
  • legenda;
  • reverso;
  • ceca;
  • oficina;
  • cronologia.

49. Do estilo tetrárquico ao novo retrato imperial

Os retratos oficiais da Tetrarquia frequentemente apresentavam imperadores com aparência:

  • compacta;
  • severa;
  • quase padronizada;
  • pouco individualizada.

Sob Constantino desenvolveu-se uma linguagem retratística diferente.

Retratos tardios tendem a apresentar:

  • rosto mais alongado;
  • aparência jovem;
  • olhos grandes;
  • penteado cuidadosamente organizado;
  • estética classicizante.

O Metropolitan Museum of Art observa que retratos de Constantino evocavam deliberadamente imperadores considerados exemplares do passado, como Trajano.

A imagem não era apenas retrato físico.

Era programa político.


50. O olhar elevado

Em retratos tardios de Constantino, inclusive em esculturas e moedas, os olhos podem aparecer elevados.

Esse recurso foi interpretado como uma maneira de sugerir relação com o divino.

Mas a iconografia deve ser lida dentro da tradição imperial mais ampla.

Retratos oficiais não eram fotografias.

Eles eram construções ideológicas.

A direção do olhar, a juventude, o diadema e a postura comunicavam uma ideia de soberania.


SOL, CRISTIANISMO E TRANSIÇÃO RELIGIOSA NAS MOEDAS

51. Sol Invictus não desapareceu imediatamente depois de 312

Mesmo depois da Ponte Mílvia, moedas de Constantino continuaram apresentando iconografia solar.

Isso é extremamente importante para compreender a gradualidade da transformação religiosa.

O imperador já demonstrava crescente aproximação do cristianismo, mas continuava utilizando símbolos reconhecíveis para um público amplo.

Entre as legendas solares associadas ao período está:

SOLI INVICTO COMITI

que pode ser entendida aproximadamente como:

“Ao Sol Invicto, companheiro [do imperador]”.

A coexistência temporária de linguagem solar e crescente patrocínio cristão impede interpretações excessivamente simples.


52. O desaparecimento gradual de tipos pagãos

Ao longo do reinado, a moeda constantiniana passou por mudanças.

Determinados deuses tradicionais deixam de ocupar o mesmo espaço que possuíam anteriormente.

Ao mesmo tempo, temas:

  • militares;
  • dinásticos;
  • abstratos;
  • votivos;

ganham importância.

Símbolos cristãos começam a aparecer de maneira mais clara em determinados contextos.

A mudança é gradual.


53. O labarum e o cristograma

Um tipo especialmente importante apresenta um estandarte imperial associado ao cristograma.

O British Museum conserva moeda de Constantinopla na qual um estandarte encimado pelo símbolo cristão perfura uma serpente.

A serpente pode ser interpretada no contexto da vitória sobre inimigos e da linguagem de triunfo do novo regime.

Esse tipo demonstra como o símbolo cristão passou a integrar a própria representação da vitória imperial.


54. O cristianismo não eliminou imediatamente a tradição militar romana

As moedas tardias de Constantino continuam exaltando:

  • exército;
  • vitória;
  • segurança;
  • sucessão;
  • disciplina;
  • continuidade imperial.

O cristianismo foi incorporado à linguagem do Estado romano.

Ele não substituiu de um dia para outro todos os elementos anteriores da ideologia imperial.

Essa combinação é uma das características centrais da Antiguidade Tardia.


GLORIA EXERCITVS

55. “A glória do exército”

Uma das legendas mais conhecidas da dinastia constantiniana é:

GLORIA EXERCITVS

Pode ser traduzida como:

“Glória do Exército”

ou

“A glória dos exércitos”.

O reverso apresenta frequentemente:

  • dois soldados;
  • lanças;
  • escudos;
  • um ou dois estandartes entre eles.

Essas moedas foram produzidas em grande quantidade durante a fase final do reinado e sob os sucessores de Constantino.


56. Por que o exército aparece com tanta frequência?

Constantino devia sua posição ao poder militar.

Seu pai havia sido imperador.

Mas isso, sozinho, não lhe entregou o Império.

Ele precisou vencer:

  • Maxêncio;
  • Licínio;
  • outros adversários;
  • povos nas fronteiras.

A dinastia precisava demonstrar união com o exército.

A legenda GLORIA EXERCITVS resume essa relação.


CAMP GATES, VOTOS E PROPAGANDA

57. As famosas “portas de acampamento”

Outro tipo muito conhecido apresenta uma construção semelhante a uma porta ou fortificação.

Em inglês, esses reversos costumam ser chamados:

campgate

A legenda pode incluir:

PROVIDENTIAE AVGG

ou fórmulas relacionadas.

O edifício é normalmente interpretado dentro da linguagem de:

  • segurança;
  • fortificação;
  • providência imperial;
  • defesa.

Não é necessariamente uma representação arquitetônica literal de um edifício específico.


58. Moedas de votos

Também encontramos tipos relacionados aos:

VOTA

Os votos eram promessas e celebrações ligadas à duração do reinado.

Marcas como:

  • VOT X;
  • VOT XX;
  • VOT XXX;

podem aparecer em coroas ou inscrições.

Esses números não são datas da moeda no sentido moderno.

Relacionam-se a aniversários e votos de governo.

O contexto da emissão precisa ser consultado no catálogo.


CASAS DA MOEDA

59. O enorme número de cecas torna a série constantiniana fascinante

Moedas de Constantino e de sua família foram produzidas em numerosas casas monetárias.

Dependendo da fase do reinado, podem aparecer:

  • Londinium — Londres;
  • Treveri — Trier;
  • Lugdunum — Lyon;
  • Arelate — Arles;
  • Roma;
  • Ticinum;
  • Aquileia;
  • Siscia;
  • Sirmium;
  • Thessalonica;
  • Heraclea;
  • Constantinopolis;
  • Nicomedia;
  • Cyzicus;
  • Antiochia;
  • Alexandria.

A lista varia conforme a cronologia.

Nem todas estiveram ativas para todos os tipos ou em todos os momentos.


60. A ceca pode alterar completamente a identificação

Duas moedas podem possuir:

  • o mesmo imperador;
  • legenda semelhante;
  • mesmo reverso;

mas terem referências diferentes por terem sido produzidas em casas monetárias distintas.

O exergo é frequentemente fundamental.

Marcas como:

  • PLON;
  • PTR;
  • ARL;
  • SIS;
  • SMTS;
  • SMN;
  • SMK;
  • CONSP;
  • SMANT;

e numerosas variantes podem indicar local e oficina.

A leitura deve ser feita com catálogo adequado.


61. Officinae

Uma casa monetária podia possuir diferentes oficinas internas.

Elas podem ser indicadas por:

  • letras latinas;
  • letras gregas;
  • numerais;
  • símbolos;
  • posições distintas das marcas.

Isso cria inúmeras variantes.

Para o iniciante, uma pequena letra que parece irrelevante pode ser justamente o elemento que separa duas referências RIC.


COMO CATALOGAR UMA MOEDA DE CONSTANTINO

62. Comece pelo observado, não pelo catálogo

Antes de procurar uma referência, registre aquilo que realmente vê.

Por exemplo:

Anverso

Busto laureado e couraçado à direita.

Legenda observada:

CONSTANTINVS AVG

Reverso

Dois soldados frente a frente, cada um segurando lança e escudo; dois estandartes entre eles.

Legenda:

GLORIA EXERCITVS

Exergo:

...

Depois procure a combinação correspondente.

Não comece escolhendo uma imagem semelhante na internet e tentando fazer sua moeda caber naquela atribuição.


63. Campos importantes na ficha

Registre:

  • autoridade;
  • denominação;
  • data;
  • ceca;
  • oficina;
  • metal ou liga;
  • peso;
  • diâmetro;
  • espessura;
  • eixo dos cunhos;
  • busto;
  • legenda do anverso;
  • reverso;
  • legenda do reverso;
  • marcas de campo;
  • exergo;
  • referência;
  • procedência;
  • conservação;
  • observações de autenticidade;
  • fotografias.

Quando alguma informação não puder ser confirmada, escreva:

não confirmado

ou:

indeterminável

Isso é melhor do que criar falsa precisão.


RIC VII E OCRE

64. Qual volume do RIC é fundamental para Constantino?

Grande parte da moeda constantiniana do período entre 313 e 337 é estudada no:

The Roman Imperial Coinage, Volume VII

O volume trata de:

Constantine and Licinius, A.D. 313–337

Para fases anteriores, outros volumes e referências podem ser necessários.

Isso demonstra por que não basta escrever simplesmente:

RIC 123

Uma referência completa precisa considerar:

  • volume;
  • ceca;
  • número;
  • variante;
  • edição.

65. OCRE

O:

Online Coins of the Roman Empire — OCRE

é uma ferramenta digital de enorme utilidade.

O projeto da American Numismatic Society e do Institute for the Study of the Ancient World utiliza a tipologia do Roman Imperial Coinage para organizar milhares de tipos.

Ele permite pesquisar por:

  • imperador;
  • denominação;
  • ceca;
  • legenda;
  • reverso;
  • data;
  • referência.

Para quem coleciona Constantino, o OCRE é uma das melhores portas de entrada para a pesquisa tipológica.


A CRISE FAMILIAR DE 326

66. Crispo

Crispo era o filho mais velho de Constantino.

Foi elevado a Caesar.

Participou de campanhas.

Teve papel importante na luta contra Licínio.

Parecia destinado a ocupar posição de enorme relevância na sucessão.

Em 326, contudo, Constantino ordenou sua execução.


67. Fausta

Pouco depois, Fausta, esposa de Constantino e mãe de seus outros filhos, também morreu por ordem ou responsabilidade imperial.

As fontes antigas apresentam narrativas relacionadas aos dois acontecimentos.

Mas os detalhes são problemáticos.

Acusações envolvendo Crispo e Fausta aparecem em tradições posteriores, porém não é possível reconstruir com segurança absoluta o que ocorreu.

A formulação prudente é:

Crispo e Fausta foram eliminados em 326, provavelmente em acontecimentos relacionados, mas as razões exatas permanecem incertas.

Esse é um caso em que o historiador precisa distinguir:

  • fato;
  • interpretação;
  • rumor antigo.

68. A morte de Crispo também alterou a sucessão

A eliminação do filho mais velho transformou o futuro dinástico.

Restaram em posição de destaque os filhos de Constantino e Fausta:

  • Constantino II;
  • Constâncio II;
  • Constante.

Os três acabariam governando depois da morte do pai.


HELENA

69. A mãe de Constantino

Helena tornou-se uma figura extremamente importante durante o reinado.

Foi elevada a posição imperial e recebeu o título de Augusta.

A tradição cristã posterior atribuiu-lhe enorme relevância.

Ela realizou uma peregrinação à Terra Santa e esteve associada ao patrocínio de construções religiosas.


70. Helena encontrou a “Verdadeira Cruz”?

A tradição cristã posterior relacionou Helena à descoberta da cruz de Cristo em Jerusalém.

Essa narrativa tornou-se extremamente influente.

Mas a evidência histórica contemporânea não permite tratá-la como fato documentado com a mesma segurança dos acontecimentos políticos do reinado.

Portanto, é apropriado apresentar:

a descoberta da Verdadeira Cruz por Helena como tradição religiosa posterior, e não como acontecimento historicamente comprovado.

Essa distinção entre tradição e documentação é essencial.


A MORTE DE CONSTANTINO

71. O batismo tardio

Apesar de seu longo patrocínio ao cristianismo, Constantino não foi batizado imediatamente depois de 312.

Seu batismo ocorreu apenas perto da morte.

Em 337, já doente, recebeu o sacramento nas proximidades de Nicomédia.

A tradição histórica atribui o batismo ao bispo Eusébio de Nicomédia.

O batismo tardio não era necessariamente incomum naquele período.

Algumas pessoas adiavam o rito por razões teológicas e penitenciais.


72. Constantino morreu em 22 de maio de 337

Constantino morreu em:

22 de maio de 337

Seu corpo foi levado para Constantinopla.

Foi sepultado na Igreja dos Santos Apóstolos.

A escolha reforçava a centralidade da cidade que ele havia criado.

Mesmo morto, o fundador permaneceria ligado à nova capital.


A SUCESSÃO

73. Constantino não deixou uma sucessão simples

Nos últimos anos do reinado havia vários Caesars dentro da família.

Depois da morte do imperador, ocorreram violentas disputas e eliminações.

Finalmente, seus três filhos:

  • Constantino II;
  • Constâncio II;
  • Constante;

assumiram como Augusti.

O território foi repartido.

O fato é significativo.

Constantino havia destruído a Tetrarquia como sistema de sucessão não dinástica.

Mas não resolveu definitivamente o problema que perseguia o Império:

como transferir o poder sem guerra civil?


MITOS E SIMPLIFICAÇÕES SOBRE CONSTANTINO

74. “Constantino criou o cristianismo”

Falso.

O cristianismo já existia havia quase três séculos.

Constantino alterou profundamente sua posição política dentro do Império.


75. “Constantino tornou o cristianismo religião oficial em 313”

Falso.

A política de 313 garantiu tolerância e restituição.

A oficialização do cristianismo niceno como religião imperial está ligada a Teodósio I, em 380.


76. “Constantino abandonou imediatamente todos os símbolos pagãos em 312”

Falso.

A iconografia solar continuou presente em moedas durante parte de seu reinado.

A mudança foi gradual.


77. “O Concílio de Niceia escolheu os livros da Bíblia”

Falso.

A principal questão de Niceia foi a controvérsia cristológica ligada a Ário e à relação entre o Pai e o Filho, além de questões disciplinares e eclesiásticas.


78. “Constantino construiu Constantinopla do zero”

Impreciso.

Ele refundou e ampliou a antiga Bizâncio, transformando-a em uma nova capital imperial.


79. “Constantinopla substituiu Roma instantaneamente”

Simplificação.

Roma permaneceu uma cidade de enorme importância simbólica, política e religiosa.

Mas a nova capital tornou-se progressivamente o principal centro da corte imperial oriental.


80. “Constantino criou sozinho todas as instituições do Império tardio”

Incorreto.

Muitas transformações administrativas e militares haviam sido iniciadas por Diocleciano.

Constantino preservou, modificou e consolidou diversas dessas reformas.


POR QUE CONSTANTINO É TÃO IMPORTANTE PARA A NUMISMÁTICA?

81. Seu reinado reúne tradição e transformação

Poucos conjuntos monetários permitem observar tantas mudanças simultaneamente.

Nas moedas constantinianas encontramos:

  • linguagem tetrárquica;
  • retrato classicizante;
  • Sol Invictus;
  • símbolos cristãos;
  • dinastia;
  • exército;
  • votos;
  • fortificações;
  • novas casas da moeda;
  • fundação de Constantinopla;
  • Roma e Nova Roma;
  • reforma do ouro.

Por isso, Constantino é um dos melhores governantes para uma coleção temática.


82. É possível construir uma coleção inteira apenas sobre Constantino

Alguns projetos possíveis:

Projeto 1 — Constantino antes e depois de 312

Compare a linguagem monetária anterior e posterior à vitória sobre Maxêncio.

Projeto 2 — Sol e cristianismo

Reúna moedas que mostrem a transição da iconografia solar para símbolos cristãos.

Projeto 3 — Casas da moeda

Escolha o mesmo tipo em:

  • Trier;
  • Roma;
  • Siscia;
  • Constantinopla;
  • Antioquia;
  • outras cecas.

Projeto 4 — Fundação de Constantinopla

Colecione:

  • VRBS ROMA;
  • CONSTANTINOPOLIS;
  • moedas da nova ceca;
  • tipos associados à inauguração da cidade.

Projeto 5 — Família constantiniana

Reúna moedas de:

  • Constantino;
  • Helena;
  • Fausta;
  • Crispo;
  • Constantino II;
  • Constâncio II;
  • Constante.

Projeto 6 — GLORIA EXERCITVS

Compare oficinas, número de estandartes e diferentes cecas.

Uma coleção especializada permite perceber detalhes que desaparecem em um conjunto aleatório.


AUTENTICIDADE

83. Moedas de Constantino também são falsificadas

A abundância de determinados bronzes não elimina o risco de falsificações.

Existem:

  • reproduções modernas;
  • falsificações fundidas;
  • cópias prensadas;
  • imitações;
  • peças genuínas alteradas.

Uma análise preliminar deve considerar:

  • estilo;
  • letras;
  • busto;
  • flan;
  • bordo;
  • peso;
  • diâmetro;
  • superfície;
  • porosidade;
  • relevo;
  • desgaste;
  • pátina;
  • compatibilidade tipológica.

Nenhum desses fatores, isoladamente, comprova autenticidade.


84. Atenção às imitações antigas

Existe ainda outra categoria importante.

Determinados tipos constantinianos foram imitados na própria Antiguidade.

Essas peças não são necessariamente falsificações modernas.

Podem ser:

  • imitações locais;
  • produções irregulares;
  • emissões não oficiais.

O British Museum possui exemplos classificados como imitações de tipos constantinianos.

Isso demonstra que “não oficial” e “moderno” não significam a mesma coisa.

Uma imitação antiga pode possuir grande interesse histórico.


CONSERVAÇÃO

85. Não limpe um bronze constantiniano para “melhorar” a leitura

Moedas de liga de cobre do século IV podem apresentar:

  • pátina;
  • depósitos;
  • corrosão;
  • concreções;
  • metal exposto;
  • fragilidade.

Uma limpeza inadequada pode apagar justamente detalhes necessários à identificação:

  • letras;
  • marcas de oficina;
  • símbolos;
  • exergo.

Evite:

  • vinagre;
  • limão;
  • bicarbonato;
  • pasta de dentes;
  • limpa-metais;
  • escovas abrasivas;
  • agulhas;
  • ferramentas rotativas;
  • eletrólise improvisada;
  • polimento.

A intervenção mínima é a opção mais segura.


COMO ANALISAR UMA MOEDA DE CONSTANTINO

86. Checklist do anverso

Pergunte:

  • É realmente Constantino I?
  • O retrato pode pertencer a Constantino II?
  • Qual é a legenda?
  • Quais letras são realmente visíveis?
  • O busto está à direita ou à esquerda?
  • É laureado?
  • Usa diadema?
  • Está couraçado?
  • Está drapeado?
  • Existe elmo?

A confusão entre membros da dinastia é comum.

A legenda é fundamental.


87. Checklist do reverso

Pergunte:

  • Qual é a legenda?
  • Existem soldados?
  • Quantos estandartes?
  • Há uma porta de acampamento?
  • Existe Sol?
  • Aparece Vitória?
  • Há loba e gêmeos?
  • É Constantinopolis?
  • Existe cristograma?
  • Existem votos dentro de uma coroa?

Identifique o desenho antes de procurar o catálogo.


88. Checklist do exergo

Observe:

  • marca da ceca;
  • oficina;
  • símbolos;
  • pontos;
  • estrelas;
  • letras;
  • combinações.

Não complete mentalmente aquilo que não está visível.

Se uma letra necessária à atribuição foi perdida:

a oficina pode permanecer indeterminável.


89. Checklist metrológico

Registre:

  • peso;
  • diâmetro mínimo;
  • diâmetro máximo;
  • espessura;
  • eixo dos cunhos.

Compare com exemplares do mesmo tipo.

Lembre-se:

variação não significa automaticamente falsidade.

Moedas antigas não são produtos industriais modernos.


90. Checklist de procedência

Guarde:

  • vendedor;
  • data;
  • recibo;
  • lote;
  • casa de leilões;
  • etiqueta;
  • coleção anterior;
  • fotografias;
  • referências;
  • valor pago.

A procedência pertence à ficha.

Não é informação secundária.


O LEGADO DE CONSTANTINO

91. Um novo centro político

Constantinopla mudou o eixo do mundo romano.

A cidade aproximava a corte:

  • do Danúbio;
  • dos Bálcãs;
  • da Ásia Menor;
  • da fronteira persa;
  • das grandes rotas do Mediterrâneo oriental.

Essa mudança seria fundamental para a sobrevivência do Império Romano oriental.


92. Uma nova relação entre Igreja e Estado

Antes de Constantino, cristãos podiam ser perseguidos pelo Estado.

Depois dele, a Igreja tornou-se progressivamente uma instituição privilegiada e integrada ao funcionamento imperial.

Essa relação geraria:

  • colaboração;
  • conflitos;
  • concílios;
  • disputas doutrinais;
  • novas formas de autoridade.

O mundo medieval cristão seria incompreensível sem essa transformação.


93. Uma nova estabilidade monetária em ouro

O solidus ofereceu ao Estado romano tardio uma ferramenta extraordinária.

O padrão criado sob Constantino teria vida muito maior que o próprio imperador.

Poucas reformas monetárias romanas tiveram impacto tão prolongado.


94. Um novo modelo de legitimidade imperial

Constantino construiu sua legitimidade a partir de vários elementos:

  • vitória militar;
  • dinastia;
  • aprovação divina;
  • cristianismo;
  • tradição romana;
  • fundação de cidade;
  • controle do exército.

Seus sucessores herdaram essa combinação.

Imperadores posteriores procurariam apresentar-se não apenas como comandantes militares, mas também como governantes escolhidos e protegidos por Deus.


95. Por que Constantino continua sendo uma figura controversa?

Porque seu reinado está na intersecção de grandes transformações.

Para algumas tradições, ele é:

  • santo;
  • protetor da Igreja;
  • fundador cristão.

Para outras leituras, é:

  • político pragmático;
  • vencedor brutal de guerras civis;
  • construtor de uma nova monarquia.

Historicamente, essas dimensões não precisam ser mutuamente excludentes.

Um imperador romano podia ser:

  • sinceramente religioso;
  • estrategicamente político;
  • militarmente implacável;
  • institucionalmente inovador;

ao mesmo tempo.

A tarefa do historiador é evitar tanto a hagiografia quanto a caricatura.


PARA APROFUNDAR: MANUAL DO COLECIONADOR DE MOEDAS

Estudar Constantino mostra por que a numismática não pode ser reduzida a reconhecer o rosto de um imperador.

Uma moeda constantiniana pode exigir conhecimento de:

  • história;
  • epigrafia;
  • iconografia;
  • religião;
  • cecas;
  • oficinas;
  • metrologia;
  • referências;
  • conservação;
  • autenticidade;
  • procedência.

Para quem deseja aprofundar esse método, recomendamos:

Manual do Colecionador de Moedas

Numismática grega, romana e brasileira: identificação, autenticidade, conservação e formação de acervos

Autor:

Higor Vinicius Nogueira Jorge

1ª edição — 2026

ISBN:

978-65-02-26375-4

A obra foi desenvolvida para quem deseja ir além da simples aquisição de moedas e construir uma coleção estudada e documentada.

Entre os temas tratados estão:

  • planejamento de coleções;
  • identificação numismática;
  • moedas gregas;
  • moedas romanas;
  • moedas brasileiras;
  • inscrições;
  • iconografia;
  • pesos e medidas;
  • casas monetárias;
  • oficinas;
  • autenticidade;
  • falsificações;
  • conservação;
  • armazenamento;
  • catalogação;
  • fotografia numismática;
  • procedência;
  • mercado;
  • avaliação;
  • compra e venda;
  • segurança;
  • formação e organização de acervos.

Ao estudar uma moeda de Constantino, perguntas inevitavelmente surgem:

  • A legenda está corretamente lida?
  • É Constantino I ou outro membro da dinastia?
  • Qual é a ceca?
  • Qual oficina?
  • O reverso pertence a qual emissão?
  • Como encontrar a referência RIC?
  • A peça é compatível com fabricação antiga?
  • A pátina está estável?
  • Como registrar sua procedência?
  • Como comparar exemplares?

Essas perguntas transformam colecionismo em método.

Onde adquirir o Manual do Colecionador de Moedas

E-book Kindle — Amazon

https://a.co/d/08dDjTmB

Livro físico — UICLAP

https://loja.uiclap.com/titulo/ua189430/

Conhecimento também faz parte da coleção.


Fontes e recursos recomendados

Pesquisa e verificação das referências: 17 de agosto de 2026.

Metropolitan Museum of Art — Marble portrait head of Emperor Constantine I

Registro institucional sobre o retrato de Constantino, reunificação do Império, fundação da nova capital e construção da imagem imperial.

https://www.metmuseum.org/art/collection/search/252884

Metropolitan Museum of Art — The Roman Empire (27 B.C.–393 A.D.)

Síntese sobre a Tetrarquia, Constantino, reunificação imperial e fundação de Constantinopla.

https://www.metmuseum.org/essays/the-roman-empire-27-b-c-393-a-d

Metropolitan Museum of Art — Byzantium (ca. 330–1453)

Introdução à fundação de Constantinopla e à continuidade do Império Romano oriental.

https://www.metmuseum.org/essays/byzantium-ca-330-1453

De Imperatoribus Romanis — Constantine I

Artigo acadêmico de Hans A. Pohlsander sobre ascensão, guerras civis, religião, Niceia, administração, Constantinopla, crise familiar e morte de Constantino.

https://roman-emperors.sites.luc.edu/conniei.htm

Online Coins of the Roman Empire — OCRE

Base digital para pesquisa da tipologia das moedas imperiais romanas.

https://numismatics.org/ocre/

Informações institucionais sobre o projeto:

https://isaw.nyu.edu/publications/research-reference/ocre

British Museum — Collection Online

Base institucional para pesquisa de moedas de Constantino e da dinastia constantiniana.

https://www.britishmuseum.org/collection

Exemplo de moeda VRBS ROMA:

https://www.britishmuseum.org/collection/object/C_1979-0307-96

Exemplo de moeda CONSTANTINOPOLIS:

https://www.britishmuseum.org/collection/object/C_1979-0307-112

Exemplo de moeda com estandarte cristão e serpente:

https://www.britishmuseum.org/collection/object/C_1890-0804-11

Cambridge University Press — The Economy of Late Antiquity

Estudos acadêmicos sobre o sistema monetário tardorromano e o solidus de ouro.

https://www.cambridge.org/core/books/exploring-the-economy-of-late-antiquity/


Conclusão

Constantino I governou em uma época em que o Império Romano estava deixando de ser o mundo político do século III e começava a assumir as características da Antiguidade Tardia.

Sua grandeza histórica não resulta de uma única decisão.

Ela resulta da combinação de várias transformações.

Constantino venceu Maxêncio em 312.

Estabeleceu uma nova relação com o cristianismo.

Participou da política de tolerância religiosa de 313.

Derrotou Licínio e tornou-se imperador único em 324.

Convocou o Concílio de Niceia em 325.

Consolidou e modificou reformas administrativas iniciadas anteriormente.

Estabeleceu o solidus como uma das moedas de ouro mais duradouras da história.

Refundou Bizâncio.

Criou uma nova capital.

Dedicou Constantinopla em 330.

Transformou sua própria família em uma dinastia imperial.

E deixou um Estado no qual a relação entre poder romano e cristianismo jamais voltaria a ser a mesma.

Suas contradições também fazem parte da história.

O imperador associado à expansão do cristianismo chegou ao poder por guerras civis.

O fundador de uma dinastia mandou executar seu próprio filho Crispo e esteve envolvido na morte de Fausta.

O governante cristão continuou utilizando símbolos solares durante parte de seu reinado.

O criador da Nova Roma não apagou a antiga Roma.

O imperador que buscou unidade eclesiástica viu as controvérsias cristãs continuarem depois de Niceia.

É justamente essa complexidade que torna Constantino tão fascinante.

Suas moedas permitem acompanhar essa transformação em detalhes.

Num retrato vemos a construção de uma nova imagem imperial.

Em SOLI INVICTO COMITI observamos a permanência da linguagem solar.

Em um cristograma, a nova associação entre império e cristianismo.

Em GLORIA EXERCITVS, a centralidade do exército.

Em VRBS ROMA, a memória da antiga capital.

Em CONSTANTINOPOLIS, o anúncio de uma nova cidade e de um novo eixo político.

No solidus, uma reforma monetária que sobreviveria por séculos.

Uma moeda de Constantino não é, portanto, apenas uma peça produzida durante o reinado de um imperador famoso.

Ela pode ser um documento da transformação de Roma.

E talvez essa seja a melhor maneira de compreender Constantino:

não apenas como o homem que fundou Constantinopla, mas como um dos principais arquitetos da passagem do Império Romano clássico para o mundo da Antiguidade Tardia. """